Às encruzilhadas se vão a pé




O Marcelo D'Salete é muito bom em contar suas historias por metáforas e simbologias. Ele tem um traço sujo e simples, que deixa a gente meio perdido se formos com muita sede ao pote. Tem que ir devagar pra decifrar cada parte.

Por exemplo, ja no primeiro conto de ENCRUZILHADA, "Sonhos", ele contrasta uma chinela de dedo de uma criança de rua com um coturno de um segurança de shopping. Essa relação de poder é crucial pra causar a tensão dos acontecimentos do conto inteiro, até que você é surpreendido por um outro evento simbólico, afetivo no caso, que so entendemos na conclusão do conto.

Me questiono sobre o processo de desenho.que ele usa. Se  faz rascunhos e composições elaboradas ou se simplesmente mete uma nanquim da cabeça. Tem uns pontos difíceis de criar de ambas as formas. No geral, apesar de ter alguns aspectos da narrativa gráfica despriorizada, é um contador de historias muito hábil. Não a toa ganhou um Eisner.